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O cinema de Barbara Hammer na Caixa Cultural do Rio de Janeiro

17 de abril de 2017 , In: Entretenimento , With: No Comments
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Olá amores, tudo bem? 

Tivemos que fazer uma manutenção no site, por isso ficamos uns dias sem postagens por aqui. Mas, agora já está tudo resolvido e voltaremos à rotina de posts. Para esse “recomeço” vou falar de uma mostra de cinema maravilhosa a qual tive a honra de receber um release.

Entre os dias 18 a 30 di abril vai acontecer na CAIXA  Cultural Rio de Janeiro a Mostra Barbara Hammer – Um cinema experimental lésbico. Quando li o assunto do email, o qual continha essas informações comecei a pensar como eu nunca havia parado para pensar sequer na existência do cinema lésbico. É muito doido isso, porque até mesmo no cinema queer (considerado um movimento de cinema LGBT) ouvimos mais falar – e vemos mais filmes – de homens gays do que de mulheres lésbicas.

Pois é, comecei a pensar em toda essa questão de representatividade feminina. Em como, em pleno século 21, ainda precisamos lutar por espaço. Em como são pouquíssimos os filmes dirigidos por mulheres que chegam ao circuito comercial, e menor ainda é esse número se falamos de mulheres negras ou lésbicas.

Pra quem não sabe, eu estudo Cinema e Audiovisual e essa semana estão acontecendo vária palestras na faculdade sobre audiovisual. Coincidentemente, uma das de hoje era sobre cineclubismo e uma das palestrantes era a Samantha Brasil, curadora do Cineclube Delas, um cineclube que só exibe filmes dirigidos por mulheres.

Samantha começou a palestra com esse vídeo aqui :

O cinema começou com ela. Embora ninguém mais se lembre.

Posted by PlayGround BR on Tuesday, March 28, 2017

Depois perguntou pra gente quem já tinha visto algum filme da Alice Guy-Blanche. De um auditório cheio, com quatro turmas de cinema e mais pessoas de outros cursos e professores, apenas 3 levantaram a mão. Em seguida ela perguntou quem já havia assistido a algum filme de George Melies, quase todos levantaram a mão.

Contra fatos não há argumentos, a história seja a tradicional ou a das artes nos é contada sobre o ponto de vista estritamente masculino. Porém, eu fico me perguntando, até quando vamos deixar isso assim. E digo “vamos deixar” porque eu, e muitos outros presentes naquele auditório, já tinha conhecimento sobre a história de Alice Guy-Blanche e o fato de que até os anos 20 a maioria dos filmes em Hollywood eram dirigidos por mulheres. Entretanto, por simples descuido, deixei outras coisas tomarem conta da minha atenção e nunca parei para procurar os filmes dela.

Entendem o tamanho do problema? Eu, uma mulher, estudante de cinema deixei esse fato passar despercebido por mim até hoje. Isso é triste, e lamentável. Mas aí, vieram esse release e essa palestra e eu vi como precisava dos dois. Como precisava divulgar os dois. Como precisávamos explorar cada vez mais os assuntos abordados em ambos.

Enfim, isso aí da assunto para muitos posts (e já tenho vários em mentes), mas, por hora, convido vocês a se abrirem a novos olhares. A uma nova história. A novas formas de contar histórias e de fazer filmes. E, principalmente, a se questionarem toda vez que lhes forem apresentada uma “historia absoluta” sobre algo. Porque, no final, tudo é questão de ponto de vista. E, infelizmente, até agora é um único ponto de vista que tem reinado no mundo.

Achei essa mostra uma ótima oportunidade para isso. Para abrir o nosso olhar. Então, se você puder ir vá! E se conseguir comparecer aos seminários melhor ainda. E se você for homem, não pense que esse convite não se estende a você. Sem os homens do nosso lado nunca conseguiremos um mundo igualitário.

CAIXA CULTURAL RIO DE JANEIRO EXIBE RETROSPECTIVA INÉDITA DO CINEMA LÉSBICO DE BARBARA HAMMER

 

Mostra reúne 24 filmes da diretora expoente do cinema queer e promove debate sobre sua obra

 

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro recebe, de 18 a 30 de abril de 2017, a Mostra Barbara Hammer – Um cinema experimental lésbico, que reúne, pela primeira vez no país, a obra da americana que é expoente do cinema queer. Serão apresentados 24 filmes, acompanhando as diferentes fases do trabalho da diretora, com destaque para seu último longa-metragem, Welcome To This House, filmado parcialmente no Brasil. O projeto tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e Governo Federal.

 

Conhecida internacionalmente como uma das cineastas que mais explorou a cultura lésbica, Barbara Hammer ficou famosa por abordar assuntos tabus sob a perspectiva de uma artista homossexual assumida desde os anos 60. Ao longo de seus 90 trabalhos, a diretora também se destacou por conseguir imprimir uma marca estética repleta de experimentações desviantes das convenções narrativas.

 

Durante a mostra, o público poderá conferir produções de diversas fases da obra de Hammer: dos sexualmente irreverentes curtas do início de carreira, a exemplo de Dyketatics, Superdyke e Menses,a filmes-ensaios ousados, como o premiado Nitrate Kisses e The Female Closet, que resgatam histórias invisibilizadas de LGBTQ+. Foram selecionados, ainda, filmes que homenageiam outros artistas, como Resisting Paradise, que aborda o trabalho de Henri Matisse e Pierre Bonnard durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Aos 77 anos, a cineasta já ganhou retrospectivas no TATE Modern (Londres), MOMA (Nova Iorque), Jeu de Paume (Paris), KOW (Berlin) e no Toronto International Film Festival. No Brasil, entretanto, nunca havia sido realizada uma mostra exclusiva sobre seu trabalho.

 

“É muito importante trazer o trabalho da Barbara para o Brasil nesse momento em que questões LGBTQ+ são discutidas de maneira intensa em meio a ondas de conservadorismo e lutas pela validação de modos plurais de viver a sexualidade e o amor”, ressalta uma das curadoras, Juliana Pamplona. “Nossa proposta com o evento é endereçar a urgência de enfrentamento de tabus sociais, em especial a invisibilidade lésbica, e oferecer uma experiência estética de alta qualidade para um público ávido por um cinema de vanguarda queer”, complementa Marina Pessanha, a outra curadora da mostra.

Seminários:

Fazem parte da programação, duas mesas discutindo diferentes abordagens acerca da obra de Barbara Hammer. No dia 18 de abril (terça), às 19h, a mesa Arte e ativismos Lés-Bi-Cuier recebe o cineasta Pri Bertucci, a escritora Amara Moira e a poeta Tatiana Nascimento para discutir atravessamentos entre identidades LGBTQ+ e criação. A mediação será da curadora Juliana Pamplona. A mesa contará, ainda, com um vídeo de Barbara Hammer feito especialmente para a mostra.

 

Já no dia 27 de abril (quinta), às 19h10, será realizada a mesa Olhares sobre o Cinema de Barbara Hammer, da qual participam a crítica Camila Vieira da Silva e as cineastas Susana Costa Amaral e Érica Sarmet. A curadora Marina Pessanha será a mediadora. A entrada para ambos os seminários é franca e sujeita à lotação da sala.

 

Programação:

18 de abril (terça-feira)

17h30 – Nitrate Kisses (1992), 67 min, 16 anos

19h – Seminário: Arte e ativismos Lés-Bi-Cuier, com Amara Moira, Pri Bertucci e Tatiana Nascimento. Mediação: Juliana Pamplona.

 

19 de abril (quarta-feira)

17h30 – Sessão Curtas 1

Dyketatics (1974), 4 min, 16 anos;

Menses (1974), 4 min, 16 anos;

Play or  ‘Yes’, ‘Yes’, ‘Yes’ (1970), 11 min, 16 anos;

Superdyke   (1975), 25 min, 16 anos;

Women I Love  (1976), 25 min, 16 anos

19h10 – Lover/Other: The Story of Claude Cahun and Marcel Moore (2006), 55 min, 16 anos

 

20 de abril (quinta-feira)

17h30 – Sessão Curtas 2

Multiple Orgasm (1976), 6 min, 16 anos;

Double Strength (1978), 16 min, 16 anos;

Super dyke meets Madame (1976), 28 min, 16 anos;

Barbara Ward Will Never Die (1968), 3 min, 16 anos;

Sync Touch (1981), 10 min, 16 anos;

SnowJob: The media Hysteria of AIDS (1986), 9 min, 16 anos

19h – Welcome to this House (2015), 79 min, 16 anos

 

21 de abril (sexta-feira)

16h30 – Sessão  Curtas 3

Sanctus (1990), 20 min, 16 anos;

Optic Nerve (1985), 16 min, 16 anos;

A Horse is Not a Metaphor  (2008), 30 min, 16 anos

18h – The Female Closet (1998), 58 min, 16 anos

 

22 de abril (sábado)

16h30 – Sessão Curtas 4

Schizy (1968), 4 min, 16 anos;

Generations (2010), 30 min, 16 anos;

Maya Deren’s Sink (2010), 30 min, 16 anos

18h – Nitrate Kisses (1992), 67 min, 16 anos

 

 23 de abril (domingo)

16h30 – Lover/Other: The Story of Claude Cahun and Marcel Moore (2006), 55 min, 16 anos;

18h- History Lessons (2000), 66 min, 16 anos

 

25 de abril (terça-feira)

17h30 – The Female Closet (1998), 58 min, 16 anos

19h- Sessão Curtas 2

Multiple Orgasm (1976), 6 min, 16 anos;

Double Strength (1978), 16 min, 16 anos;

Super dyke meets Madame (1976), 28 min, 16 anos;

Barbara Ward Will Never Die (1968), 3 min, 16 anos;

Sync Touch (1981), 10 min, 16 anos;

SnowJob: The media Hysteria of AIDS (1986), 9 min, 16 anos

 

26 de abril (quarta-feira)

17h30- Sessão Curtas 4

Schizy (1968), 4 min, 16 anos;

Generations (2010), 30 min, 16 anos;

Maya Deren’s Sink (2010), 30 min, 16 anos

19h- Tender Fictions (1995), 58 min,16 anos

 

27 de abril (quinta-feira)

17h30 – Sessão Curtas 1

Dyketatics (1974), 4 min, 16 anos;

Menses (1974), 4 min, 16 anos;

Play or ‘Yes’, ‘Yes’, ‘Yes’ (1970), 11 min, 16 anos;

Superdyke   (1975), 25 min, 16 anos;

Women I Love  (1976), 25 min, 16 anos

19h10 – Seminário: Olhares sobre o Cinema de Bárbara Hammercom Camila Vieira da Silva, Érica Sarmet e Susana Costa Amaral. Mediação: Marina Pessanha.

 

28 de abril (sexta-feira)

17h30 – Sessão  Curtas 3

Sanctus (1990), 20 min, 16 anos;

Optic Nerve (1985), 16 min, 16 anos;

A Horse is Not a Metaphor  (2008), 30 min, 16 anos

19h – Resisting Paradise (2003), 80 min, 16 anos

 

29 de abril (sábado)

16h30 – Tender Fictions (1995), 58 min, 16 anos

18h – History Lessons (2000), 66 min, 16 anos

 

30 de abril (domingo)

16h30- Resisting Paradise (2003), 80 min, 16 anos

18h10- Welcome to this house (2015), 79 min, 16 anos

 

Serviço:

Mostra Barbara Hammer – um cinema experimental lésbico

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1

Endereço: Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô e VLT: Estação Carioca)

Telefone: (21) 3980-3815

Data: de 18 a 30 de abril de 2017 (terça-feira a domingo)

Horários: Consultar programação

Ingressos: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia.

Lotação: 78 lugares (mais três para cadeirantes)

Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 10h às 20h

Classificação Indicativa: Consultar programação

Acesso para pessoas com deficiência

Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal

Release: RoMa in Press

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Thayná Ivo

Blogger

Há 4 anos atrás resolvi mudar a minha alimentação. Dois anos antes, conheci o mundo por trás das câmeras do cinema, e me encantei. Hoje, faço faculdade de Cinema e me esforço para manter uma alimentação saudável em meio a correria do dia a dia...